1) Fenomenologia
Base: Edmund Husserl. Foco: essência da experiência vivida → suspender preconceitos, juízos prévios e subjetividades que contaminam a análise. Conhecimento obtido a partir da vivência (experiência direta e intencional). Importância da atenção intencional → consciência focada num fenómeno. Exemplo: exposição ao telejornal → observar a ordem e estruturação das notícias, identificando o que revela a essência da experiência mediática. Linguagem é central → nomear dá existência e apropriação do fenómeno.
2) Hermenêutica
Base: Gadamer, Ricoeur. Comunicação como interpretação de significados (não existe sentido único → polissemia). Princípio do círculo hermenêutico: O todo influencia a interpretação das partes. As partes influenciam a compreensão do todo. Encontro de horizontes: Perspectiva do autor (emissor). Perspectiva do intérprete (receptor). Perspectiva do próprio discurso (palavras, ideologia). Palavras são carregadas de ideologia e valores, não neutras. Responsabilidade do intérprete: contextualizar, não distorcer a intenção do autor, mas reconhecer a historicidade e ideologia dos discursos.
3) Construtivismo social
Base: Berger & Luckmann — “A construção social da realidade”. Conhecimento e realidade social são construídos por meio da linguagem, interações e discursos. Processo: Externalização → ação humana cria significados. Institucionalização → repetição transforma significados em instituições/rotinas sociais. Internalização → indivíduos incorporam e reproduzem essas instituições como naturais. Exemplos: Autoridade do médico ou do professor legitimada socialmente. Termos como “institucionalização” ou “impacto” mudam de sentido consoante usos sociais.
4) Estruturalismo / Funcionalismo
Estruturalismo: procura a estrutura subjacente à linguagem e à comunicação. As palavras ganham sentido pela relação com outras palavras. Comunicação é vista como sistema organizado. Funcionalismo: analisa funções sociais da comunicação. Comunicação como elemento que mantém coesão social. Ênfase no papel prático e nos efeitos (ex.: informar, educar, integrar).
5) Interpretativismo e subjetividade
Reconhecimento de que o intérprete traz consigo disposição psicológica, cultura, tempo histórico, o que influencia a interpretação. A comunicação não é neutra → é atravessada pela posição do sujeito. Por isso, a análise deve equilibrar: Objetividade profissional (distanciamento). Consciência da subjetividade (condicionamentos inevitáveis).
6) Palavras e ideologia
Palavras não são inocentes → carregam significados culturais, sociais e ideológicos. Exemplo: Jornalismo prefere “faleceu” a “morreu”. Uso de termos como “impacto”, “institucionalização”, “publicidade” altera perceções. O uso repetido transforma palavras em símbolos sociais legitimados.
7) Aplicação à Comunicação
Comunicação é interpretação, construção social e função social. Diferentes correntes permitem olhar para: Fenomenologia: essência da experiência mediática. Hermenêutica: interpretação de discursos e polissemia. Construtivismo social: realidade construída por linguagem e instituições. Estruturalismo: engrenagens da linguagem e sistemas simbólicos. Funcionalismo: funções sociais e efeitos da comunicação.
8) Exercício sugerido (pela professora)
Identificar num artigo científico qual a corrente epistemológica presente. Perguntar: O autor busca essência da experiência? (fenomenologia) Interpreta significados num movimento circular? (hermenêutica) Considera a realidade como construída socialmente? (construtivismo social) Enfatiza funções e estruturas sociais? (funcionalismo/estruturalismo)
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