Apontamentos – Tendências e Paradigmas em Comunicação e Sociologia

1. Influência pessoal e redes sociais

Muitos profissionais (ex.: da saúde) usam as redes sociais para ampliar a sua influência pessoal. A migração para o digital responde à necessidade de tornar visível o seu conhecimento e reputação. O digital é entendido como “esfera pública” onde se disputa influência.

2. Teorias dos efeitos dos media

Efeitos ilimitados (visão inicial): os media teriam poder absoluto sobre o público. Efeitos limitados (revisão posterior): os media não são todo-poderosos, existem resistências nas audiências. Modelo dos dois patamares (two-step flow): As mensagens não chegam diretamente ao público em geral. Passam por “líderes de opinião” (pessoas com maior capital social/cultural). Estes interpretam, filtram e transmitem as mensagens, funcionando como mediadores. Resistência das audiências: públicos não são passivos, selecionam conteúdos e desconfiam de mensagens dominantes.

3. Exemplo prático – Jornalismo e comentário

Diferença entre papel de jornalista e comentador: Jornalista deve informar com objetividade. Comentador opina e interpreta. Confusão quando a mesma pessoa acumula funções (ex.: Ricardo Costa – comentador e jornalista, sendo também irmão de uma figura política). Levanta questões de credibilidade, ética e função social do jornalismo.

4. Paradigmas teóricos em comunicação

Paradigma funcionalista/positivista: Comunicação como transmissão linear (emissor → canal → recetor → efeito). Visa eficácia e clareza da mensagem. Alinhado com visão tecnológica e utilitária. Paradigma crítico (Escola de Frankfurt): Rejeita o capitalismo liberal como inevitável. Media são vistos como instrumentos conservadores. Comunicação deve assumir papel social e educativo (ex.: promoção de bem-estar). Paradigma construtivista/social-construcionista: A realidade é socialmente construída pela linguagem e interação. Os media não apenas transmitem factos, constroem significados. Exemplo: guerra Rússia–Ucrânia → designação “invasão” depende do ponto de vista (ocidental vs. russo). O cientista social deve estar atento às “construções sociais” e justificar o uso de termos.

5. Importância da linguagem

A linguagem molda a perceção da realidade. Palavras são polissémicas (ex.: “papel” → pode significar função social ou material físico). Investigadores devem usar termos de forma clara, consciente e justificada.

6. Função social da comunicação

Comunicação é essencial em contextos de crise (apoia adaptação e sobrevivência). Teoria funcionalista: os factos sociais têm funções na manutenção da sociedade. Exemplo: regras sociais, casamento, convenções culturais → impostos do exterior para garantir ordem. Disfunções: quando certos fenómenos sociais causam problemas, obrigam a reajustes.

7. Micro e macro sociologia

Macrossociologia: estuda estruturas sociais amplas (sistemas, instituições, sociedade global). Microssociologia: estuda interações entre indivíduos no quotidiano. Ambas ajudam a compreender como a sociedade molda o indivíduo e vice-versa.

8. Ação social e interpretativismo

Foco na experiência subjetiva dos indivíduos. A sociologia interpretativa procura descrever a experiência tal como é vivida, sem preconceitos prévios. Construtivismo simbólico: realidade é construída nas interações e significados partilhados.

9. Metodologia e investigação

Importância de definir objetivos gerais e específicos com verbos claros (ex.: compreender, analisar, explicar). Evitar comprometer a investigação com termos vagos. É essencial reconhecer a corrente epistemológica usada (positivista, interpretativista, funcionalista, crítica, etc.). Subcorrentes podem também ser identificadas: Simbolic interactionism Construcionismo social Funcionalismo crítico

10. Resumo final

O estudo da comunicação social envolve vários paradigmas: funcionalista, crítico, construtivista. Os públicos são ativos, selecionam mensagens e resistem à manipulação total. A linguagem é central, pois constrói significados e realidades. A sociologia articula níveis micro e macro para explicar a relação indivíduo–sociedade. O investigador deve ser crítico, consciente das construções sociais e rigoroso no uso da linguagem.


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