Apontamentos sobre a Construção de Modelos de Análise em Investigação

1. Para que serve o modelo de análise

É mais uma tarefa a fazer, mas tem utilidade prática: Ajuda a fazer a ponte entre a parte teórica e a parte empírica do trabalho. Faz parte das opções metodológicas. O modelo de análise: Parte da teoria, mas é já um passo em direção à aplicação prática. Não é a teoria em si, mas utiliza conceitos vindos de teorias diferentes. Pode ser visto como um sistema conceptual.

2. O que é um modelo de análise (em termos formais)

É uma representação diagramática do desenho de pesquisa. Mostra: As relações entre os conceitos que já conheço. As relações que quero testar ou explorar no meu trabalho. Pode ser desenhado com: Linhas contínuas / descontínuas. Setas unidirecionais ou bidirecionais. A forma como desenho as ligações já diz muito: Sobre o tipo de relação que estou a supor (influência, associação, etc.). Sobre a articulação entre os conceitos.

3. Condições para fazer um bom modelo

Para fazer um bom modelo de análise é preciso: Ter a ideia de investigação relativamente amadurecida. Mas: Para este trabalho/semestra: Basta um rascunho, um esboço. O objetivo é ver se: Percebeste o que é um modelo de análise. Consegues, a partir do teu trabalho, alinhar conceitos e começar a desenhar o modelo. O modelo é: Uma ferramenta útil para planear. Uma forma de comunicar a investigação a outras pessoas.

4. Características desejáveis do modelo

Deve ser: Claro. Simples, mesmo que, por trás, exista algo muito complexo. Idealmente: Ao olhar para o modelo, alguém deve perceber o essencial do que estás a estudar. No texto escrito: Tens de explicar: Os conceitos que usas. As relações que o modelo representa. O contexto em que estás a analisar esses conceitos.

5. Modelos teóricos, teorias e modelos de comunicação

Existem: Teorias (nível mais abrangente). Modelos teóricos (articulam várias teorias ou partes de teorias). Modelos de comunicação (por exemplo, modelos clássicos apresentados em diagramas). Um modelo teórico: Não é exatamente o mesmo que uma teoria. Pode ser construído para: Articular várias teorias. Criar uma vertente explicativa mais ajustada ao objeto de estudo. Os modelos: Podem estar mais ao nível: Macro, meso ou micro (níveis de análise). São muitas vezes representações de mecanismos: Como se supõe que certos processos funcionam.

6. Exemplos de modelos apresentados pela professora

6.1. Estudo sobre imagem corporal e publicidade

Trabalho dela sobre: Influência do conteúdo das apresentações de grupo/publicidade na construção da imagem corporal de adolescentes. No modelo: Apareciam as duas grandes dimensões do conceito de imagem corporal. À volta, outros conceitos relacionados: Modelos sociais. Questões de comparação social. Relações com autoestima. Tudo o que estava no modelo: Veio da leitura da literatura. Representava o que os estudos anteriores mostravam.

6.2. Estudo de género (trabalho da colega)

Modelo “em camadas”, usado numa investigação sobre: Construção de género. Agência, constrangimentos e oportunidades em vários níveis. Níveis: Estrutural. Cultural. Individual (nível principal do estudo). Metodologia: Entrevistas em profundidade (muitas, com grande detalhe). Uso de software de análise qualitativa para trabalhar as entrevistas.

7. Ferramentas visuais para planificação

A professora refere: Um tipo de diagrama em V (usado como ferramenta de planificação). Este tipo de diagrama ajuda a: Visualizar opções da investigação. Articular: Princípios e conceitos. Perguntas de investigação. Objetos de estudo. Procedimentos e técnicas. Resultados e conclusões. Pode ser usado: Numa fase inicial (como proposta). Ou numa fase mais avançada, para sintetizar o trabalho feito.

8. Conceitos: papel central no trabalho

Os conceitos são fundamentais porque: Permitem operacionalizar o que queremos estudar. Os conceitos: Vêm da teoria e da área disciplinar. São usados de forma diferente conforme a disciplina: Comunicação. Sociologia. Psicologia. Gestão. Economia. Tecnologia, etc. Por isso: Quando se faz revisão de literatura, é importante ver: Em que área está publicado o artigo. Que autores são usados. O mesmo conceito pode ter: Sentidos diferentes consoante a disciplina.

9. Operacionalização dos conceitos

A partir dos conceitos centrais: Definem-se as dimensões. Depois, os indicadores. Exemplo genérico: Conceito: consumo de notícias. Pergunta: como tornar isto mensurável? É preciso: Perceber que dimensões tem. Ver como é operacionalizado noutros estudos. A operacionalização: Permite passar da teoria para a prática empírica. É a base para construir: Instrumentos de recolha de dados (inquéritos, entrevistas, etc.). No segundo semestre: Já se espera que exista: Uma boa pesquisa conceptual feita. Uma base sólida para começar a desenhar instrumentos.

10. Questões metodológicas e níveis de análise

O modelo de análise liga: Questões de investigação. Objetivos. Conceitos. Métodos e técnicas. Mas: O modelo de análise não é o mesmo que um esquema com: Objetivos + técnicas + métodos (isso é outra coisa). Nas ciências sociais: Há diferentes tradições ontológicas sobre: Audiências. Sujeitos. Processos de comunicação. Por exemplo: Audiências vistas como passivas vs. audiências vistas como ativas.

11. Abordagens dedutivas e indutivas aos conceitos

Normalmente: Trabalhamos com conceitos já existentes na literatura (abordagem mais dedutiva). Mas noutras tradições (por exemplo, mais hermenêuticas): Os conceitos podem emergir: Da linguagem das pessoas. Das representações que surgem nos discursos. O processo é mais indutivo: A partir do que as pessoas dizem. Em áreas mais novas: Pode ser necessário construir conceitos a partir do terreno.

12. Cuidados na pesquisa bibliográfica

Ao procurar literatura: Ver em que revista e área o artigo é publicado. Perceber se: Os autores são comuns à área da comunicação. Ou vêm de outras áreas (psicologia, tecnologia, etc.). O mesmo termo: Pode ter uma tradição teórica diferente consoante a disciplina. Não há problema em: Ir buscar autores de outras áreas, desde que: Se tenha consciência das diferenças conceptuais. Se enquadre bem a utilização desses conceitos.

13. O que a professora espera para este semestre

Não é exigido: Um modelo final totalmente fechado. O que se pretende: Que já exista: Pesquisa conceptual iniciada. Uma ideia dos conceitos centrais do trabalho. E que consigas: Fazer um esboço de modelo de análise. Representar, de forma simples, o que queres estudar e como os conceitos se relacionam


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